Na terceira idade, um novo recomeço

10 de novembro de 2009 at 8:19 1 comentário

 

             Magno Marins Teixeira,  Maria da Conceição e Maria Ornélia, além da mesma letra do alfabeto que inicia seus nomes, possuem aspectos em comum. O principal é que os três sabem escrever e identificar o ‘M’ de seus nomes, depois de anos sem reconhecê-lo. Os três são idosos e alunos da classe de alfabetização do Grupo Convivência, da Obra Social Santa Isabel, em Brazlândia.

             A seguir, breves retratos de suas vidas serão apresentados, como prova de que o clichê é verdadeiro: “Nunca é tarde para aprender”.

 “Enquanto eu tiver vida, estarei estudando”

            Um dos destaques da turma da professora Matilde é o senhor Magno Marins Teixeira. Ele completa 94 anos em janeiro. Bem-humorado e com voz firme, apesar dos problemas de saúde que enfrenta, o aluno mais velho da turma é também um dos mais entusiasmados: “Talvez eu não chegue a ver 2010. Minha saúde está muito debilitada, mas enquanto eu tiver vida, estarei estudando”. 

InterAtivo

Mesmo sentando atrás, o senhor Magno garante prestar atenção

             Ele voltou para relembrar o que aprendeu há décadas, pois cursou, quando jovem, o ensino médio completo, e agora voltou a ter aulas. “O conhecimento ensinado hoje é diferente do de antigamente e se não se estudar ‘destreina’”, fala o aluno. Ele cursou três anos de contabilidade e até hoje sua matéria preferida é matemática, mas ele também gosta muito de ler: “Já li de Gênesis a Apocalipse”, fala orgulhoso.

             O senhor Teixeira serve de motivação para os demais alunos, não só com o seu exemplo, mas também com suas palavras: “Sempre fui um bom aluno. Meus professores sempre falaram que nunca tinham visto um conhecimento de estudo igual ao meu, mas mesmo assim estou aqui. Todos tem que vir. Sempre pergunto para meus amigos: ‘por que vocês não entram? Além de serem velhos ainda não querem aprender?’”, fala.

   “Não basta existir, é preciso viver”

            São sete e meia da manhã. O céu, que inicialmente estava nublado, começa a dar sinais de que será um belo dia.  Maria da Conceição, que já está acordada desde as seis horas, se prepara para sair. Em sua camiseta destaca-se uma frase que traduz bem o que essa senhora de 68 anos pensa de sua vida: “Não basta existir, é preciso viver”. Pouco tempo depois de sair de casa, apesar da condução que teve que tomar, Conceição chega ao seu destino: uma sala de aula, com mais de dez outros idosos.

           Conceição faz parte da turma de alfabetização do Grupo Convivência, da Obra Social Santa Isabel, em Brazlândia, onde além das aulas, os alunos participam de atividades de convivência e lazer. Ela já estuda há quatro meses, e se diz muito satisfeita: “Voltar a estudar é uma realização muito boa. Poder escrever e ler todos os anúncios da rua é maravilhoso”, fala.

“Já sei escrever meu nome, graças a Deus”

InterAtivo

Maria Ornélia na sala de aula: "Vou buscar tudo o que não tive oportunidade antes"

            À primeira vista ela aparenta ser tímida. Não conversa muito com as colegas da turma e só levanta o rosto para escrever no caderno o que a professora pôs no quadro. Quando é interrogada sobre o objetivo de estar frequentando a classe de alfabetização sua personalidade parece mudar. Com voz alta e gesticulando bastante, Maria Ornélia, 74 anos, fala das dificuldades que já superou por ser deficiente auditiva e não saber ler.

              Quando jovem não teve oportunidade de aprender, pois tinha que trabalhar na roça, além de não possuir os meios adequados que a possibilitassem escutar ou mesmo entender o que se diziam. “Mas nunca desisti. Eu sabia que o meu dia ia chegar e eu ia aprender a ler”. Maria Ornélia retira da bolsa um recorte de papel bem dobrado e o apresenta: “Esse é o meu nome. Já sei escrever meu nome, graças a Deus”, e o guarda cuidadosamente em seguida.

             Maria Ornélia é sempre a primeira a chegar à sala de aula e deseja continuar os estudos: “Vou continuar com fé em Jesus. Vou buscar tudo o que não tive oportunidade antes”.

InterATIVO

Eles ainda não formaram, mas todos os dias, dão e recebem aplausos

Escute os áudios da reportagem

Confira galeria de fotos dos alunos da alfabetização

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O que é ser um jornalista multimídia? Alfabetização de idosos: sempre há tempo para recomeçar

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